Diz a sabedoria popular que rir é o melhor remédio. A ciência comprova que, sendo o melhor ou não, tem as suas qualidades terapêuticas, tanto para o corpo como para a mente. Entre outros benefícios, rir promove a libertação de serotonina, um antidepressivo natural, e de endorfinas, hormonas responsáveis por criar sensações de bem-estar e prazer. Ajuda, por isso, a reduzir o stress e a ansiedade, maleitas tão bem conhecidas deste século.
Os entendidos recomendam 10 minutos de riso por dia, para alegrar o cérebro e equilibrar o organismo. Mas o sorriso (indispensável ao riso) e ainda mais a gargalhada fazem-se tímidos e reticentes nestes tempos sisudos. À pandemia juntam-se as preocupações de sempre, que não perderam força com a sua chegada, e quase soa a escárnio dizer que no meio desta intempérie há razões para se estar de bom humor.
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Faltando coisas para acharmos graça, um riso provocado também serve o propósito. Nos anos 1990, o médico Madan Kataria começou a desenvolver técnicas de riso simulado que hoje são utilizadas por todo o mundo em aulas de yoga do riso, ou risoterapia, e podem ser aprendidas online.
Ainda assim, é bem mais divertido rir com vontade. Encontrar momentos de alegria no meio do desespero e da incerteza é libertador e não há alívio mais prazeroso que o de uma gargalhada espontânea ou um sorriso involuntário.
Também é bom ter por perto uma lista de motivos para sorrir com satisfação, uma confusão bem humorada de razões para não nos darmos por vencidos: saúde (quem de momento se pode gabar dela); família; amor e carinho das pessoas que fazem parte da nossa vida; o som embalador da chuva no conforto da nossa casa; um cozinhado que correu bem, ou um que correu mal e desatámos a rir; bolos; uma fruta que gostamos muito; um sorriso retribuído; os nossos animais de estimação; álbuns de fotografias; takeaway do restaurante preferido; fazer planos e objetivos; cheiros que gostamos muito e nos trazem memórias; músicas que nos fazem cantar e dançar; abraços (mesmo à distância); flores; uma piada e o riso contagiante de outra pessoa. Quaisquer que sejam as razões, o importante é não esquecer de sor(rir).
Ana Costa, Crónica: Razões para Sorri, in www.evasoes.pt (adaptado)