O Papa Francisco parte, obviamente, das «convicções cristãs» que o «animam» e o «nutrem», mas com o propósito de gerar diálogo com todas as pessoas de boa vontade e de promover com todas elas processos efetivos de transformação social, política e económica. Porque é importante sonhar juntos – não aconteça que, sozinhos, se tenham miragens e se veja o que não existe.
Fica o desejo de que o sonho possa ganhar corpo e gerar realidade, porque se trata do risco de sonhar um mundo novo, melhor e mais belo, que seja construído sobre o reconhecimento de cada um como um irmão.
P. José Frazão Correia sj (Adaptado de comentário sobre a Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco)
Quando sorrimos sentimo-nos automaticamente melhores, mais leves, menos pressionados. O sorriso interno e externo é um antídoto para o stresse, as dores e os conflitos que aparecem diariamente nas nossas mentes. Sorrir para mim e para o mundo, consigo e com o outro traz ao nosso corpo e à nossa mente equilíbrio e consciência da vida como uma brincadeira.
Imagina se todos nós continuássemos a sorrir na mesma proporção que vemos crianças às gargalhadas sem nenhum sentido aparente, só de caminhar ao lado umas das outras? Com o tempo, perdemos o hábito do riso solto, o riso que vem com a partilha de bons momentos presentes, com o alívio de entender que tudo acontece no seu tempo, é momentâneo, breve, passageiro.
Entretanto, o sorriso está sempre lá, de graça, disponível e livre para utilizarmos os seus benefícios o tempo todo.
Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de ceticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.