Bom Dia Maristas

ABRIL

UMA CASA CHEIA DE VIDA

A vida não é uma fuga, nem uma procura, é uma viagem. As mudanças são parte essencial do que somos. Ser é mudar. Que bom seria se fosse sempre para melhor.

Nenhuma hora das nossas vidas pode ser vivida duas vezes. Cada existência é preciosa também porque é um conjunto único de momentos irrepetíveis.

As alegrias passam e as tristezas também. Os sofrimentos por vezes perduram, mas nunca para sempre, ainda que ao fim de algum tempo os sintamos como eternos, tal é a nossa impotência de lutar contra eles. Importa que não percamos a esperança, que se faz paciência, e não nos esvaziemos da nossa própria alma como gesto desesperado e absurdo para tentar não sofrer mais.

O mal não nos quer mortos, quer-nos rendidos. Não sem vida, mas sem vontade de viver. Mas esta vontade é sempre uma decisão. A vida é uma firmeza, é uma coragem que não consiste em protagonizar um grande e sensacional gesto heróico, mas sim ser capaz de um conjunto imenso de decisões que nos fazem avançar, passo a passo, no caminho certo.

A verdadeira felicidade, que também é paz, tem de ser construída todos os dias, para que se estabeleça e perdure. Se assim não for, ou nem aparece ou arruína-se até desaparecer.

Não esqueças que aquilo que vês depende também muito do que és. Esforça-te por te aperfeiçoares, por não ficares estático e tudo à tua volta também ganhará luz e cor. Ganhará vida.

O comboio que é a tua vida vai parar em todas as estações. Sai e explora cada lugar, conhece pessoas e procura sempre aprender com tudo e todos. Depois, volta ao teu lugar na carruagem. E, sem deixar de sentir saudades pelo bem que pudeste experimentar, permite-te sempre sonhar com o melhor que pode estar à tua espera na próxima estação.

 

José Luís Nunes Martins

O coração humano está sempre sedento e procura encher-se de sentido e de razão para a vida. Ele procura aconchego e paz. Quer abrigar-se na certeza e na confiança. Sonha, acredita, teme, treme, palpita. Bate ao ritmo da vida e dos acontecimentos., encontros e desencontros, luzes e trevas, alegrias e dores.

Vivemos um tempo de busca. Não basta a tecnologia, a facilidade, as respostas imediatas. Mesmo tendo o mundo nas mãos, o coração sente-se vazio e quer preencher-se, completar-se, transbordar, transcender-se. Encontrar Deus na vida e perceber a vida toda no coração de Deus: eis o desafio de todos os tempos, do nosso tempo! Ser capaz de auscultar essa presença tão evidente e tão escondida, em todas as situações do dia-a-dia. Deus deixa-se encontrar por todos aqueles que o procuram de coração aberto e sincero. Bondade sempre nova e provocante. Céu e terra, poeira e asfalto, silêncio e ruído, lamento e riso, tudo repleto de marcas dos passos de Deus. Converte o nosso coração em casa, abrigo e terra fértil. Temos de ter olhos límpidos, atenção constante, mente aberta e coração confiante para perceber a presença de Deus. Prestar atenção aos inúmeros sinais que revelam a sua presença amorosa. Precisamos de cultivar a simplicidade e o serviço. É preciso tomar a iniciativa, buscar, ir ao encontro, ler, rezar… É preciso escutar no barulho e no silêncio, a voz de Deus, sentir os seus apelos e responder com generosidade e disponibilidade.

Vivemos um tempo especial de buscar. Cabe-nos a nós cultivar as atitudes e as perguntas que favoreçam o encontro connosco e com os outros. As questões pelo sentido da vida são respondidas nos passos diários, nas experiências que temos. E cada circunstância é uma oportunidade ímpar que transforma, gera vida e impulsiona o caminhar. Deus está no coração da Vida. E ao sermos vida, estamos no coração de Deus.

 

Vanderlei Soela, in “Deus no coração da vida, a vida no coração de Deus”

A Páscoa trouxe-nos a renovação da promessa da Luz que vem do Céu. Depois da tormenta que nos protagonizou, encontrámos, mais uma vez, razões para acreditar que haverá um feixe de luz ao fundo de todos os túneis.

No entanto, e ainda que nos tenha sido dada toda esta Luz, será que a vemos?

Será que temos consciência da pedra preciosa que temos enraizada no coração? Ou continuamos a peregrinação pela vida como se não soubéssemos do tesouro que trazemos dentro?

Será que compreendemos que já não precisamos de carregar connosco uma culpa e uma tristeza velhas que não nos deixam chegar mais longe?

Não sei se compreendemos. Se temos consciência. Se temos noção.

Parece-me que continuamos a caminhar como quem prefere o que é escuro. Como quem prefere não saber. Não ver. Não amar. Não pedir desculpa. Não parar para descansar. Não pensar no que incomoda. Não fazer o luto. Não refletir sobre tudo o que está diante dos nossos olhos.

Ainda precisamos de fazer melhor. De deixar para trás o que já não é deste tempo. De vestir as nossas raízes com a Luz que nos foi dada. De parar para compreender que a vida é mais do que trabalhar e morrer.

Ainda precisamos de ter coragem para ver o que está à nossa frente. De não fugir. De não adiar para amanhã o projeto de fazer a vida valer a pena.

Mas o que é isso? Fazer a vida valer a pena?

Para cada um de nós haverá uma resposta diferente. Estás disposto a encontrar a tua?

 

Marta Arrais

Tens em mão a semente,

a essência daquilo que podes criar.

Que comece o trabalho,

acompanha-a de perto, tudo vai dar certo,

ela vai germinar.

É que nos teus olhos vive a luz

E nos teus sonhos é Jesus

Quem faz de tudo por nascer

Para dar vida ao mundo,

Dar cor e futuro,

Dar corda e por tudo a mexer

 

SEMEIA ESPERANÇA E COLHE ALEGRIA,

QUE AO MUNDO JÁ SOBRA TRISTEZA.

FAZ DO TEU SORRISO SEMENTE DE VIDA,

VERDADE, BONDADE E BELEZA.

 

A terra fechada, os espinhos, as pedras,

a espera e o temor…

abalam certezas, semeiam angústia

mas não são capazes de atar o amor

 

É que é Deus quem ama no teu ser,

É Ele que cuida e faz crescer

Esta família em comunhão,

Como irmãos nesta mesa,

Que é festa e certeza,

Loucura, projeto e canção.

 

“Semeia Esperança”, hino do lema marista 2013-14

Quero animar-te a este compromisso, pois sei que o teu coração, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Sigo as notícias do mundo e vejo que tantos jovens, em tantas partes do mundo, têm saído para as ruas para manifestar o desejo por uma civilização mais justa e fraterna. São jovens que querem ser protagonistas da mudança. Sois vós que tendes o futuro. Continuai a superar a apatia e a oferecer uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que existem em diversas partes do mundo. Peço-vos que sejais construtores do futuro, que deiteis mãos ao trabalho, por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não vejam a vida da varanda, entrem nela. Jesus não ficou à varanda, entrou na vida: não olhem da varanda para a vida, metam-se nela, como fez Jesus. Mas, sobretudo, de uma forma ou de outra, sede lutadores pelo bem comum, sede servidores dos pobres, sede protagonistas da revolução da caridade e do serviço, capazes de resistir ao individualismo consumista e superficial. 

 

Papa Francisco, in “Cristo Vive – quarta Exortação Apostólica” (nº174)

No início dos tempos, os deuses, sentindo-se muito sós, decidiram criar os seres humanos. Em reunião plenária, discutiram as características que deveriam dar às suas criaturas. 

– Vamos tornar os seres humanos à nossa imagem e semelhança, dar-lhes força, beleza e inteligência. Mas temos de esconder bem a chave a felicidade, para nunca deixarem de precisar de nós. 

Um dos deuses expressou a sua preocupação:

-Onde esconderemos essa chave, de modo que eles não a possam encontrar?

Ouviram-se várias sugestões:

– No topo da montanha mais alta!

– No fundo dos oceanos!

– No espaço, fora da Terra!

O deus dos deuses, prevendo o futuro, contestou:

– Nenhum desses lugares é seguro para esconder a chave da felicidade. Mais tarde ou mais cedo, com a sua inteligência, os seres humanos chegarão a todos os lugares. Temos de pensar melhor!

Fez-se um silêncio prolongado na reunião.

De repente, o deus dos deuses abriu um sorriso luminoso e exclamou:

– Já sei! Vamos esconder a chave da felicidade num local onde não irão procurá-la facilmente. 

– Onde? Onde? – perguntaram em coro os outros deuses.

– O melhor lugar do universo é o interior dos próprios seres humanos. Eles andarão tão ocupados a procurar a felicidade fora de si, que nem pensarão em procurá-la no interior de si mesmos.

Todos os deuses estiveram de acordo. Desde então, os seres humanos passam a vida em busca em felicidade, por toda a parte e em todas as coisas, sem saberem que a trazem consigo, no interior do coração.

 

António Estanqueiro, in “99 Histórias de Sabedoria”