Bom Dia Maristas

JUNHO

UMA CASA ABERTA AO MUNDO

Uma família entre as famílias — a Igreja é isto — disponível para testemunhar ao mundo de hoje a fé, a esperança e o amor ao Senhor mas também àqueles que Ele ama com predileção. Uma casa com as portas abertas… A Igreja é uma casa com as portas abertas, porque é mãe. Muito me impressionou uma coisa que escrevera um grande sacerdote. Era um poeta e amava muito Nossa Senhora. Era também um padre pecador, e sabia que o era; mas ia ter com Nossa Senhora e chorava diante d’Ela. Uma vez ele escreveu uma poesia, pedindo perdão a Nossa Senhora e prometendo que nunca se afastaria da Igreja. Escrevia assim: «Esta noite, Senhora, a promessa é sincera. Mas, para qualquer eventualidade, não te esqueças de deixar a chave do lado de fora». Maria e a Igreja nunca fecham por dentro! Sempre, se fecham a porta, a chave está do lado de fora: tu podes abrir. E esta é nossa esperança. A esperança da reconciliação. «Padre, diz que a Igreja e Nossa Senhora são uma casa com as portas abertas, mas se soubesse, padre, as coisas ruins que fiz na vida! Para mim, as portas da Igreja, inclusive as portas do coração de Nossa Senhora, estão fechadas». «Tens razão! Estão fechados. Mas aproxima-te, observa bem e encontrarás a chave do lado de fora. Faz assim: abre e entra! Não precisas de tocar à campainha. Abre com a chave que está lá». E isto vale para toda a vida!

 

(Papa Francisco, 6 de maio de 2019)

Uma casa pequena, perto do presbitério, estava à venda. Marcelino desejava adquiri-la, mas o pároco, padre Rebod, opôs-se ao negócio; Marcelino, porém, conseguiu um empréstimo, no valor da metade da compra; o restante proviria de seus recursos pessoais. Marcelino assinou o contrato de compra com o dono e pôs-se a trabalhar na limpeza e conserto da casa. Fabricou também duas camas de madeira e uma mesinha para as refeições. (…) Dois meses mais tarde, as reparações da casa foram completadas. Os dois primeiros discípulos a ocuparam em 2 de janeiro de 1817. Daí em diante, a casa do senhor Bonner seria conhecida, pelo menos no mundo Marista, como “berço» do Instituto, e o dia 2 de janeiro de 1817 como data de fundação dos Irmãozinhos de Maria. (…) No decorrer dos restantes meses de inverno, Granjon e Audras moraram juntos na casa. Marcelino encarregou-se de ensinar-lhes a ler, deu-lhes os meios de que necessitariam para instruir as crianças. Mostrou-lhes, também, a maneira de rezar e de fabricar pregos, que eram vendidos para conseguir recursos para a comunidade. (…) Mais tarde, o jovem padre mudou-se do presbitério para unir-se à comunidade dos Irmãos. 

 

(Ir. Seán Sammon, Um coração sem fronteiras, pp. 18-20)

Celebrar o Dia de Portugal significa reabilitar o pacto comunitário que é a nossa raiz. Sentir que fazemos parte uns dos outros, empenharmo-nos na qualificação fraterna da vida comum, ultrapassando a cultura da indiferença e do descarte. Uma comunidade desvitaliza-se quando perde a dimensão humana, quando deixa de colocar a pessoa humana no centro, quando não se empenha em tornar concreta a justiça social, (…) quando, com os olhos postos naqueles que se podem posicionar como primeiros, se esquece daqueles que são os últimos. (…) Lembro-me de um diálogo do filme do cineasta Pedro Costa, «Vitalina Varela», onde se diz a alguém que chega ao nosso país: «chegaste atrasada, aqui em Portugal não há nada para ti». Sem compaixão e fraternidade fortalecem-se apenas os muros e perde-se a possibilidade de lançar raízes.

 

(D. Tolentino Mendonça – comemorações do Dia de Portugal, 10 de junho de 2020)

ACREDITO NO NÓS (Gen Verde)

https://www.youtube.com/watch?v=stMDRnv2SbE

  

Um outro dia / na mesma aflição. / Só, no meu quarto / A minha vida é só desilusão.

Dúvidas e medos / Lutam contra a minha vontade 

Respiro fundo e procuro a luz dentro de mim

Saio, vou lá fora para olhar mais além

Deste meu pequeno mundo e das minhas fragilidades

Abro o meu coração / Descubro que se penso no bem dos outros / Dou o melhor de mim

Não sou um super-herói / Acredito no “nós”

Só se eu vivo por ti / E tu por mim / Juntos vamos vencer

Somente um passo / E muda a realidade 

O meu problema / transforma-se em oportunidade.

Abro os meus braços / para ajudar quem está perto de mim.

Sinto-me viva / E o medo não me para mais.

Saio, vou lá fora para olhar mais além / Em cada rosto, uma história / tantas fragilidades

Abro um sorriso e digo o meu “sim” / E sem olhar para trás / eu recomeço daqui

Não sou um super-herói / Acredito no “nós”

Só se eu vivo por ti / E tu por mim / Juntos vamos vencer.

O mal que me atormenta vem do medo 

De perder as minhas certezas, viver na insegurança

E infiltram-se pensamentos que me deixam acorrentada

Vejo-me sempre só e na garganta um nó

Mas se pago todos os ruídos e dou voz ao coração

E deixo que a guiar seja a vontade de doar-me

Descubro que não estou sozinha / Agora é o meu momento

De crer que o bem avança e só juntos se alcança

Não sou um super-herói / Acredito no “nós”

Só se eu vivo por ti / E tu por mim / Juntos vamos vencer

Acredito no “nós” / Não sou um super-herói / Acredito no “nós” / Acredito no “nós”.

É importante o cultivo da interioridade e da espiritualidade. Com frequência e constância, entrar no nosso quarto, fechar a porta e orar ao nosso Pai, que está ali, em segredo (cf Mt 6,6). Submergir-se no interior pede tempo, espaço e, sobretudo, partir do desejo, da sede, da necessidade de ir para dentro. Requer-se a experiência do silêncio. (…) É no silêncio onde descobrimos melhor o fogo que nos habita, essa luz interior com a qual nos sentimos em casa. Quando experimentamos esta luz, os medos vão desaparecendo. A partir do silêncio orante somos capazes de experimentar, de maneira próxima, a presença de Deus que habita o nosso coração.


 (Ir. Ernesto Sánchez; Lares de Luz, p. 17)