Bom Dia Maristas

MAIO

A CASA DE MARIA

Estamos habituados a ver imagens de Maria em altares muito ricos, ornamentada de forma exuberante, em grandes templos, muitas vezes na zona mais alta das principais cidades. 

Mas nada mais distante da que poderá ter sido a realidade de Maria de Nazaré. Uma mulher muito simples, jovem, provavelmente iletrada, e dedicada diariamente às lides da casa. Podemos imaginá-la descalça e de avental à cintura a ir buscar água ao poço, a cozinhar, a tratar dos mais idosos da família, por vezes as brincar com as crianças, a rezar ou a ir sinagoga de manhãzinha ou ao final do dia. 

Na época histórica em que Maria viveu as mulheres não tinham muito acesso à vida pública e por isso o mundo de Maria circunscreve-se quase totalmente à sua própria casa. Mas Deus, que não conhece barreiras sociais, faz-se presente nessa mesma casa e revela-se no quotidiano de Maria. Durante este mês Maria abre-nos também a sua casa humilde de Nazaré e está à nossa aberta de portas abertas. Entramos?

Ir. José Luís Carvalho 

Depois de dizer que Sim à proposta inesperada de Deus, a vida de Maria transformou-se profundamente. O que terá sentido esta jovem durante a viagem até Belém, quando teve de dar à luz num estábulo tão longe de sua casa? E o que terá pensado quando começaram a chegar pessoas desconhecidas para adorar o seu filho recém-nascido? Podemos ainda tentar imaginar pelo que terá passado o seu coração de mãe quando o seu filho se perdeu numa viagem a Jerusalém e dias mais tarde o encontraram tranquilo no templo. 

Há um versículo do evangelho de São Lucas que nos ajuda a perceber como Maria viveu todos estes episódios: “conservava todas estas coisas ponderando-as no seu coração” (Lc 2, 19).

Durante esta semana Maria convida-nos a não fugir daquilo que nos acontece, nem a passar pela vida distraídos. Muito pelo contrário, caminhar com Maria é um desafio a estar atento a tudo o que acontece na nossa vida e a descobrir a passagem de Deus no nosso dia-a-dia, principalmente nos acontecimentos aparentemente mais insignificantes. 

Ir. José Luís Carvalho

Não há textos muito longos sobre Maria nos evangelhos, mas aparece referida em muitos momentos diferentes da vida de Jesus. Às vezes, como em Mt 12, 46, diz-se simplesmente enquanto Jesus falava à multidão ela estava lá. Assim como esteve também no nascimento, no crescimento, na morte de Jesús e até no meio dos discípulos depois da sua morte. Imagino Maria como aquele familiar (pode ser mãe, pai, avô, avó, tio, etc) que não perde um jogo do seu filho ou filha. E faça chuva, sol ou neve, seja a que horas for. Está na bancada para apoiar o seu filho na luta pelo seu sonho. Como é que tu te fazes presente na Vida daqueles que amas?

Uma das cenas mais bonitas que podemos contemplar é a forma como os adultos tratam os recém-nascidos. É fantástico observar como, ante um bebé de colo, até as pessoas mais rígidas se derretem. De repente podemos testemunhar como pessoas que costumam comunicar-se de uma forma ríspida, com voz grossa ou com distância, se expressam ao som dos mais ternurentos “gu-gu-ga-gas”.

Estes comportamentos levam-nos a não ter dúvidas de que existe em todo coração humano uma faísca de bondade, um enorme desejo de unidade e de fraternidade universais. Estamos feitos para a comunhão e o primeiro passo é tratar-nos mutuamente com ternura. Durante esta semana relaciona-te com os outros da mesma forma que os tratarias se fossem bebés. Verás que a Ternura tem a força de iniciar uma verdadeira revolução!

Ir. José Luís Carvalho

Saber que Maria era uma mulher de família leva-nos a pensar: o que significa “ter um rosto Mariano”? Se calhar, temos que pensar naquilo que nos faz sentir em casa. Em nossa casa não somos um número, nem somos mais um. Sentimo-nos em casa, ali, onde nos conhecem, sabem o que nos faz felizes e o que nos entristece, onde conhecem as nossas matreirices, mas também as nossas potencialidades e aquilo que nos faz únicos!

Por isso, para sermos pessoas, turmas, escolas, comunidade, um igreja… com rosto Mariano devemos ter os olhos atentos, as mangas arregaçadas dispostas a servir e o coração aberto para garantir que nos âmbitos onde nos movemos todos se sentem acolhidos e criar espaços de confiança para podermos partilhar as nossas vidas e celebrar tudo aquilo que recebemos.

Ir. José Luís Carvalho