No domingo passado iniciámos o tempo do Advento, tempo de preparação para o Natal.
Caminhar em tempo de Advento é olhar para o nascimento de Cristo, há mais de dois mil anos; mas é também estarmos vigilantes e atentos à Sua vinda, em cada dia que passa.
Jesus Cristo já veio: nasceu num lugar concreto, num país concreto e transformou a nossa história e a nossa vida. Naquela pequena povoação da Judeia, em Belém, nasceu Jesus, filho de Maria, e esse Menino iniciou um caminho novo que podemos percorrer, animados pelo Seu Amor e pela esperança de um mundo melhor.
Mas, embora já tenha vindo há dois mil anos, Jesus continua a vir pois deseja habitar no coração de cada um de nós. Neste Advento vamos todos preparar o nosso coração para receber Jesus, o nosso melhor amigo.
E como devemos recebê-lo? Como recebemos os nossos amigos: com simpatia, com alegria e disponíveis para o servirmos com carinho, na pessoa de cada um dos nossos colegas, funcionários da nossa escola e todos os nossos familiares.
Em muitas situações do nosso dia a dia deixamo-nos distrair por muitas coisas: por um ruído inesperado, por um avião que passa, por uma mensagem de telemóvel, por uma brincadeira muito engraçada ou sem graça nenhuma. Muitas são as formas de distração que nos desviam de tarefas importantes. Mas a distração mais grave é aquela em que até nem nos damos conta da presença de alguém.
Nesta semana, somos convidados a estar atentos. A quem?
Antes de mais, atentos à voz de Jesus que quer habitar no nosso coração; e depois aos nossos amigos e a todas as pessoas que encontramos e que contam com o nosso olhar, a nossa voz e o nosso amor.
Natal! A própria palavra enche os nossos corações de alegria. Não importa o receio das pressas, as listas de presentes e as felicitações que nos fiquem por fazer. Quando chegar o dia de Natal, vem-nos o mesmo calor que sentíamos quando éramos meninos, o mesmo calor que envolve o nosso coração e o nosso lar.
A família de Nazaré dá-nos uma lição de acolhimento: Maria e José acolhem Jesus com todo o afeto possível. Como diz o Papa Francisco: “É bonito ver Jesus inserido nas vicissitudes dos afetos familiares que nasce e cresce no abraço e nas preocupações dos seus. Isto é importante também para nós: provimos de uma história tecida com vínculos de amor e a pessoa que hoje somos não nasce tanto dos bens materiais que desfrutamos, quanto do amor que recebemos, do amor no seio da família.”
Com o passar dos anos e em particular nos últimos… tenho aprendido como é importante cuidar da nossa casa interior. Compreender e conhecer o que existe dentro de nós. O que na verdade somos. Ou o que ainda não sabemos o que somos e desejamos ser.
Mas este ser é muito para além do olhar do outro. É um olhar nosso. Individual. Um olhar profundo. Que não se contenta com a superfície ou o superficial da vida.
Até porque a vida será sempre a viver e a aprender, na comparação daquilo que fomos ontem e não do que os outros são hoje.
O tempo é sábio. E as experiências trazem-nos sabedoria. A sabedoria de olhar para o lado certo da vida. Para onde encontramos e sentimos paz… Para onde o amor é casa… Para onde o respeito pelos nossos limites é sentido e verdadeiro.
Olhar para o lado certo da vida, é valorizar os pequenos momentos. As pessoas que nos enchem a alma com um abraço e nos fazem sorrir.
É aprofundar a nossa capacidade de amar, acolher, cuidar.
É nunca perder a fé… em nós, nos outros, no mundo…
É ultrapassar cada desafio com esperança e confiança, de que do lado de dentro mora a vida e a beleza da vida em cada instante.