São Marcelino Champagnat, o nosso Fundador, descrevia o período da Quaresma como um momento propício para acalmar o coração, meditar e contemplar o mistério da nossa salvação. Este período de preparação para a Páscoa do Senhor requer de todos nós uma mudança de vida, uma busca incessante pela conversão.
Acompanhando Jesus, nos quarenta dias, em que Ele passou por provações no deserto, tentamos entender o mistério da Redenção. Meditando a sua Paixão, Morte e Ressurreição, somos tomados pela sensação de nos sentirmos amados. Amados por aquEle que mais amou. Amados por quem se entregou na cruz. Amados pelo próprio Amor.
Isto significa limpar o coração e o espírito de tudo que nos afasta de Deus. A pressa cotidiana dá espaço para um tempo de calmaria, reflexão e paz. Assim, podemos enxergar o Senhor na nossa vida, em cada atitude, em cada pensar, lá Ele estará.
É tempo de voltar a nossa alma para nosso próprio interior. Como está nosso coração e espírito? Nossas ações têm nos afastado ou aproximado de Deus? Como posso ser um católico melhor? Como posso ser uma pessoa mais disposta e humilde para o próximo? Estas são perguntas que nos ajudam a entender o nosso estado interior, para que assim, possamos viver uma experiência única de aproximação e intimidade com o Senhor, enquanto nos preparamos para a sua morte e ressurreição.
Na Terra, a água é o ingrediente mais expressivo da vida orgânica.
No seio morno do mar nasceram os embriões de toda existência física.
Sem a presença dos rios, o homem não construiria a cidade e sem o apoio da chuva, ninguém colheria os frutos do campo.
Para que a vitalidade garanta a força do corpo, é preciso que a água amasse o pão das criaturas e para que a saúde humana seja mantida, quase sempre é indispensável seja ela o veículo da medicação que o socorre.
Assim como a água, preciosa e necessária ao progresso e à segurança do mundo, é também a compaixão no campo espiritual de nossas relações uns com os outros.
Sem a compaixão dos pais, que renunciam tantas vezes a si mesmos, não conheceríamos o conforto do lar; sem a compaixão dos que ensinam, a ignorância seria uma noite invencível; e sem a compaixão do amor fraterno que perdoa sem condições, o ódio entre as criaturas seria como um veneno destruidor.