Começamos este mês de outubro, em que temos por lema “não desistimos”, recordando as palavras do Papa Francisco aos jovens na sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit (Cristo Vive).
O Papa começa por dizer que Cristo Vive: “É Ele a nossa esperança, e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que Ele toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida”, pois, “Ele vive e quer-te vivo”, quer-te bem numa felicidade consistente a partir duma riqueza interior cheio de vida e de esperança.
Acaso perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, ou pensas que a vida é difícil é obscura demais? Jesus apresenta-se diante de ti como se apresentou diante do filho morto da viúva e exorta: “Jovem, eu digo-te, levanta-te”. Pois, com seu poder de ressuscitado, Ele renova a vida que há em ti e a vontade de seguir o caminho de uma vida verdadeira.
“Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te “droguem” para te usar à merce dos seus interesses. Atreve-te a ser mais, porque o teu ser importa mais que qualquer coisa”. Ser jovem no pleno sentido não é apenas buscar prazeres passageiros e sucessos superficiais. Jesus, cheio de vida, quer-te ajudar para que possa valer a pena ser jovem.
Atenção: “jovens, não desistam do melhor da sua juventude. Não observem a vida a partir de uma varanda. Não confundam a felicidade com um sofá, nem vivam toda a sua vida na frente de um ecrã”. Cuidado com a utilização dos meios de comunicação digital que oferecem muita ilusão impossível de ser conquistada. Sejam protagonistas. Valorizem o dom de Deus existente em vós.
O Papa fala no documento do grande anúncio para os jovens, que inclui três grandes verdades:
1. UM DEUS QUE É AMOR: “Deus te ama” em qualquer circunstância. Tu és infinitamente amado. Podes jogar-te com confiança nos braços do Pai Divino. É um amor que não machuca e nem se cala.” É o amor do Senhor … é o amor que cura e que levanta. “Procura sempre” o abraço de teu Pai do Céu no rosto amoroso das pessoas que tens ao teu lado.
2. CRISTO SALVA: esta segunda verdade é que Cristo, por amor, entregou-se até o fim para nos salvar. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim! (Jo 13,1)”. “Quantos se deixam salvar por ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento”.
3. Por fim, a terceira verdade: ELE VIVE! “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt28,20)”. Ele enche-nos com a sua graça, liberta-nos e transforma-nos, pois ele vive, ele é o Cristo Ressuscitado.
Não podemos… podemos?
Hoje ouvi na rádio uma entrevista de uma mulher que viveu uma experiência traumatizante, uma história tão dura e chocante quanto enriquecedora na sua capacidade de superar tamanha experiência. Na entrevista ela partilhou uma ideia muito simples, mas muito inspiradora: às vezes focamo-nos no que não podemos controlar e esquecemos o que podemos. Se formos honestos, às vezes passamos muitos momentos olhando para as limitações e para as dificuldades de muitas situações do dia a dia e aos poucos vamos limitando as muitas possibilidades que estão ao nosso alcance.
É verdade que talvez não consigamos resolver o mundo, evitar muitas injustiças, melhorar muitas situações do dia-a-dia… mas certamente no meio de todas estas situações há algo que podemos fazer que está nas nossas mãos, algo tão simples como uma palavra amiga, um gesto, um silêncio, um sorriso, um abraço, um momento de conversa, um agradecimento, um olhar, um WhatsApp, um café…
Nem Jesus procurou resolver todos os problemas que surgiam na sua vida quotidiana. Nunca se concentrou naquilo que não podia, mas antes pelo contrário o seu olhar foi sempre o de quem quer ser fiel à sua missão e ao Pai, e assim ele pôde concentrar-se no que podia: anunciar, ajudar, curar, denunciar, acolher e assim salvar.
E eu, e tu, e nós, o que podemos…?
Sim posso
Se eu puder fazer algo hoje,
Se eu puder realizar algum serviço,
Se eu posso dizer algo harmonioso,
Diga-me como fazer isso, Senhor.
Se eu puder consertar um erro humano,
Se eu puder dar força ao meu próximo,
Se eu puder animá-lo com a minha música,
Diga-me como fazer isso, Senhor.
Se eu puder ajudar uma pessoa infeliz,
Se eu puder aliviar qualquer fardo,
Se eu puder irradiar mais alegria,
Diga-me como fazer isso, Senhor
Partilha os teus medos e os teus sentimentos com alguém que os saiba compreender.
Agradáveis ou desagradáveis, os sentimentos necessitam expressar-se;
necessitam reconhecimento e liberdade para se mostrar a descoberto.
Não é bom, não é prudente que ocultes, por detrás de um sorriso, que não sabes que decisão tomar
ou que tens o coração partido; isso é falsear o que sentes por dentro.
Ao expressar os teus sentimentos e os teus medos podes livrar-te da dúvida, podes livrar-te da dor
e isso permite-te continuar o teu caminho, reconstruir a tua vida e pensar em possibilidades que tornem a fazer-te feliz.
Esquece o mito que te obriga a ser forte a ponto de enfrentar o mundo inteiro com um grande sorriso e uma atitude valente.
Os teus sentimentos dizem outra coisa. Admite-os: estão ali.
Aproveita o seu poder curativo para deixar no passado o que é do passado e compreender que o que sentes no teu coração é uma parte importante de ti.
Usa os teus sentimentos para crescer, usa o teu coração para eliminar os medos e encontrar a paz.
Sê fiel a ti mesmo.
Oração
Senhor Jesus, assusta-me perder o que tenho, assusta-me o futuro,
assusta-me uma possível relação, assustam-me os exames,
assusta-me a solidão e a doença, assusta-me ficar pela metade das coisas…
Os meus medos podem paralisar-me, às vezes fazem que diga coisas que não quero
e outras que reprima o que quero dizer. Limitam os meus desejos e os meus sonhos.
Levam-me a optar unicamente pelo mais seguro, a tomar opções
nas quais muitas vezes não me reconheço.
Desde os meus medos a minha tática é não perder,
mas sinto Senhor que o encontro contigo convida-me a arriscar mais pela vida
e a não guardar só para mim os talentos que tu me deste.
O Vento que decidirmos ser
Uma das mais importantes escolhas que cada um de nós deve fazer é a de escolhermos o que colocamos no centro da nossa vida. Se o mundo à nossa volta, a fim de o mudar, ou se o interior de nós mesmos.
Um dos trabalhos mais importantes de cada um de nós será o de saber bem o que queremos. O segredo da felicidade pode estar aí: alterar em nós o que nos possa estar a causar desnecessárias preocupações e dificuldades. Quantas vezes desejamos algo que está fora do nosso controlo?
Não faz muito sentido que percamos o nosso tempo todo a tentar conquistar o que não depende de nós. Será uma perda de energia e tempo que podia e devia ser utilizado naquilo que é essencial e está ao alcance da nossa mão.
Algo que está nas nossas mãos é a possibilidade, e o dever, de estabelecermos os nossos objetivos. O que pretendemos alcançar e o que estamos dispostos a fazer a fim de o conseguir. Outra dimensão essencial e que depende apenas de nós, é o conjunto dos nossos valores, bem como a determinação de viver de acordo com eles. Os nossos objetivos e valores deviam ser um ponto central da nossa preocupação diária. Atribuir o devido valor a cada coisa pode poupar-nos muito sofrimento.
Temos que estabelecer metas, interiores e exteriores. Procurando levar ao limite as nossas forças e talentos.
Já há muita gente infeliz, os que se preocupam mais em ser amados do que em amar, não fazendo nada para sequer se tornarem amáveis…
A felicidade depende do que eu decidir ser no meu íntimo, assim como também depende do mal que eu posso evitar. Sermos bons, humildes e diligentes depende apenas de nós. Só de nós. Se não o chegarmos a ser, a responsabilidade é nossa. Nenhum de nós será feliz por circunstância, mas sempre é devido a um conjunto de escolhas profundas… que nos definem… tal como queremos ser.
Rumo ao melhor de mim, não é o vento que me leva, mas a minha vontade de ir.
A minha bagagem
A minha bagagem será leve,
para poder avançar rápido.
Terei que deixar para trás o peso inútil:
as dúvidas que me paralisam
e que não me deixam avançar.
Os medos que me impedem
de saltar no vazio contigo.
As coisas que me amarram e me atrapalham.
Terei de deixar para trás de mim
o espelho de mim mesmo.
E levarei
tudo aquilo que não pesa:
muitos nomes com a sua história,
mil rostos na memória,
a vida no horizonte,
projetos para o caminho.
Valor se, Tu Senhor, me deres amor que cura
e que não exige.
Te levarei Senhor como guia e mestre
e uma oração que te torne presente:
Mostra-me o teu caminho e ilumina a minha vida.
Razões para a esperança
A minha história começa numa manhã de sábado, no autocarro de casa para a universidade. Há dias que ouvíamos falar da falta de chuva e da poluição que cobria o céu da cidade. Eu estava a olhar distraidamente pela janela quando de repente vi uma figura triangular. Um grupo de patos cruzou o céu, alheio a esta notícia e a todas as outras, seguindo a sua migração anual de norte para sul. Patos selvagens formando uma seta perfeita. Elegante, afiada.
Fiquei arrepiado ao lembrar-me de uma história… Saint-Exupéry conta-a no seu livro “Terra dos Homens”. Ali, o lendário autor francês descreve um fenómeno único. Acontece que os patos domésticos que vivem numa quinta, ao verem o magnífico voo triangular dos seus parentes selvagens passando sobre eles, começam a mover as asas nervosamente. Eles batem na vedação que os cerca e batem no telhado de rede. Eles gritam, como se quisessem chamá-los a centenas de metros de distância. Os patos domésticos deixam de comer a ração que lhes é oferecida de graça e sem esforço. Não sei que instintos selvagens despertam neles. Por um minuto, os patos do campo transformam-se em aves migratórias. E é aqui que naquelas cabecinhas duras onde só circulavam imagens humildes de milho, minhocas e galinheiros, desdobram-se extensões continentais, sopram ventos e ouvem-se as marés contra as praias longínquas.
Lembrar-me desta história faz-me sorrir. Ainda há esperança. Porque hoje em dia temos muitos patos domésticos. Enjaulados em horizontes estreitos, recheados de tudo, seguros num mundo feito à nossa medida. Mas ainda existem patos selvagens. Pessoas que passam por nós e nos lembram aquilo a que estamos chamados. Verdadeiros homens e mulheres que brilham com luz própria, que se doam todos os dias, que irradiam autenticidade sem serem perfeitos. Essas pessoas despertam algo selvagem em nós, que também quer correr riscos e voar alto. Deixando de lado a alimentação e o conforto. Lançando-se no horizonte infinito de um voo triangular.
Mantém a chama
Mantém a chama… da ESPERANÇA contra tanta apatia e sentido fatal da vida.
Mantém a chama… da CONFIANÇA diante de tantas suspeitas.
Mantém a chama… da PAIXÃO pelas pessoas, que as faça sentir que a ‘sua vida é sagrada’.
Mantém a chama… de ACREDITAR e não desistas de nada, nem dês ninguém por perdido.
Manter a chama… para VER o bem que nos rodeia e que cria vida.
Mantém a chama… da PERSEVERANÇA para sermos fiéis aos nossos compromissos.
Mantém a chama… da POSSIBILIDADE de poder descobrir caminhos inexistentes em direção aos outros.
Mantém a chama… da ENTREGA e da LIBERDADE diante do interesse comercial.
Mantém a chama… para não esquecer aquilo a que somos CHAMADOS: ESTENDER A MÃO todos os dias a tantos que encontramos no nosso caminho.