A substância das coisas esperadas
Agora que a contagem decrescente para o Natal começou, e voltamos a procurar nas caixas da dispensa os símbolos natalícios que ornamentam as nossas casas, é importante perguntarmo-nos o que nos é permitido esperar. Um símbolo não deveria ficar sequestrado pela mera estética do ornamento, não deveria ser um ilusório expediente mudo, mas deveria poder avizinhar-nos com a sua força nua a alguma coisa de essencial para nós próprios. E, desse modo, ajudar-nos a refletir sobre o horizonte, o alcance, a potência e a natureza da nossa esperança; sobre as formas da sua objetiva configuração; sobre se estamos disponíveis ou não para nos tornarmos seus cúmplices. Seus enamorados. Seus servidores. O tempo do Advento que estamos a viver é isso que expõe. Felizes aquelas e aqueles que se colocam perguntas, atravessando o espaço dos dias de coração desperto: essas e esses saberão que o Natal ilumina a sua sede.
Cardeal D. José Tolentino Mendonça
https://www.imissio.net/artigos/53/4925/a-substancia-das-coisas-esperadas-por-tolentino-mendonca/
Maria Odete: Uma Vida de Entrega Silenciosa
Maria Odete Martins é voluntária no Centro Comunitário de Telheiras, em Lisboa. Aos 21 anos começou a sua carreira como professora. Após 38 anos de ensino, reformou-se — mas o desejo de continuar a servir os outros permaneceu vivo.
“Ser professora é dedicarmo-nos aos outros para sempre. Por isso, o voluntariado é mais uma etapa da minha vida”, diz com simplicidade.
Hoje, Maria Odete dedica-se a um grupo de idosos. Uma vez por semana, partilha com eles as suas viagens pelo mundo — Egipto, Grécia, Itália, Uruguai — através de apresentações que ela própria prepara com entusiasmo. Mais do que mostrar fotografias, ela ensina, escuta, partilha memórias e constrói pontes de afeto.
“O meu objetivo com o voluntariado é esse: falar para os outros, ensinar as pessoas a conhecerem o mundo.”
Ao ser homenageada pelos seus cinco anos de voluntariado, reagiu com surpresa:
“Já passaram cinco anos? Não dei por isso, o que é bom. É sinal de que gosto muito do que faço.”
No tempo do Advento, Maria Odete é um exemplo vivo de quem acolhe quem chega: com tempo, com escuta, com generosidade. Ela mostra que o Natal começa quando abrimos espaço no coração para o outro — seja ele um idoso solitário, uma criança vulnerável ou um desconhecido que precisa de atenção.
Fonte: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – Histórias de Voluntariado
O segredo da espera
“Há um tempo para semear e um tempo para colher”, diz Salomão em Eclesiastes. Há momentos em que o guerreiro parte para o combate. Mas também há momentos em que é preciso descansar, rezar.
As coisas hão de chegar no seu tempo certo. Não vale a pena andar de um lado para o outro. Não vale a pena parecer ocupado ou enganar-se com a ilusão de que se está a fazer alguma coisa. No intervalo entre batalhas, o guerreiro espera. Se não o fizer, os seus olhos não serão capazes de ver os sinais de Deus. E todos os mapas que poderiam guiar os seus passos podem passar despercebidos.
Paulo Coelho
Com Jesus, sempre existe a possibilidade de recomeçar
“Nunca é tarde, sempre existe a possibilidade de recomeçar, tenham coragem, Ele está perto de nós e este é um tempo de conversão. Cada um pode pensar: “Tenho esta situação dentro de mim, este problema que me envergonha”. Mas Jesus está ao teu lado, recomece, sempre existe a possibilidade de dar mais um passo. Ele espera por nós e nunca se cansa de nós. Nunca se cansa de nós, nós somos chatos, mas nunca se cansa!
Escutemos o apelo de João Batista para voltar para Deus e não deixemos este Advento passar como os dias do calendário, porque este é um tempo de graça, de graça também para nós, agora, aqui!”
Papa Francisco, Angelus, 4 de dezembro de 2022
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-12/papa-francisco-angelus-4-dezembro-2022.html
Um compromisso concreto (2021)
“Façamos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e vamos cumpri-lo para nos prepararmos para este Natal. Por exemplo: posso ligar para aquela pessoa que está sozinha, visitar aquele idoso ou doente, fazer alguma coisa para servir os pobres, os necessitados. Talvez eu tenha negligenciado a oração e depois de muito tempo seja hora de me aproximar do perdão do Senhor. Vamos encontrar uma coisa específica e fazê-lo! Que a Virgem, em cujo seio Deus se fez carne, nos ajude”.
Papa Francisco
Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a Tua paz
“Cada um de nós deve sentir-se, de alguma forma, responsável pela devastação a que a nossa casa comum está sujeita, a começar pelas ações que, mesmo indiretamente, alimentam os conflitos que assolam a humanidade. Assim, fomentam-se e entrelaçam-se os desafios sistémicos, distintos mas interligados, que afligem o nosso planeta [4]. Refiro-me, em particular, às desigualdades de todos os tipos, ao tratamento desumano dispensado aos migrantes, à degradação ambiental, à confusão gerada intencionalmente pela desinformação, à rejeição a qualquer tipo de diálogo e ao financiamento ostensivo da indústria militar. Todos estes são fatores de uma ameaça real à existência de toda a humanidade. No início deste ano, portanto, queremos escutar este grito da humanidade para nos sentirmos chamados, todos nós, juntos e de modo pessoal, a quebrar as correntes da injustiça para proclamar a justiça de Deus. Alguns atos esporádicos de filantropia não serão suficientes. Em vez disso, são necessárias transformações culturais e estruturais, para que possa haver também uma mudança duradoura.”
(…)
“Desarmar o coração é um gesto que compromete a todos, do primeiro ao último, do pequeno ao grande, do rico ao pobre. Por vezes, é suficiente algo simples como «um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito» [23]. Com estes pequenos-grandes gestos, aproximamo-nos da meta da paz, e lá chegaremos mais depressa quanto mais, ao longo do caminho, ao lado dos nossos irmãos e irmãs reencontrados, descobrirmos que já mudámos em relação ao nosso ponto de partida. Com efeito, a paz não vem apenas com o fim da guerra, mas com o início de um mundo novo, um mundo no qual nos descobrimos diferentes, mais unidos e mais irmãos do que poderíamos imaginar.”
Papa Francisco, mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2025