“Eu comecei a consumir aos 14 anos e só parei aos 23, 24” afirma Matheus Vitorino, de 29 anos, que após passar por um processo de reabilitação, está agora a viver num dos apartamentos de reinserção da Comunidade Vida e Paz (CVP).
Durante a fase de consumo, o utente da CVP esteve em situação de sem-abrigo: “cheguei a ter que viver na rua”. Naquela altura, Matheus confessa que não tinha esperança em recuperar a vida que tinha e que o foco estava na satisfação do momento.
Após o internamento, “o passo seguinte foi passar por uma casa de tratamento às substâncias e perceber um bocadinho que doença é esta. Ou seja, um autoconhecimento”, conta.
Matheus Vitorino esteve cerca de dois anos numa comunidade terapêutica, que se destina a reabilitar pessoas com adições, onde a recuperação não foi fácil, tendo passado por uma recaída, no entanto conseguiu reerguer-se.
Atualmente, está num dos alojamentos da Comunidade Vida e Paz há oito meses, a quem é grato pelo acolhimento e pela aprendizagem de novas funções. “Todos os utentes que são integrados nos nossos programas, é traçado com eles um plano, que possa ser trabalhado nas diferentes áreas, e esse plano integra também esta componente da reinserção social”, informou a diretora-geral da CVP.
“É para nós muito importante podermos empoderar as pessoas, capacitá-las para que elas depois consigam inserir-se no mercado de trabalho, inserir-se na sociedade, voltarem a recuperar os laços com a família”, salientou Renata Alves.
Nestes dias, contemplando o mundo que nos rodeia, não se pode ignorar as graves questões éticas relacionadas com o setor dos armamentos. A possibilidade de efetuar operações militares através de sistemas de controle remoto levou a uma perceção menor da devastação por eles causada e da responsabilidade da sua utilização, contribuindo para uma abordagem ainda mais fria e destacada da imensa tragédia da guerra.
A pesquisa sobre as tecnologias emergentes no setor dos chamados «sistemas de armas letais autónomas», incluindo a utilização bélica da inteligência artificial, é um grave motivo de preocupação ética. Os sistemas de armas autónomos nunca poderão ser sujeitos moralmente responsáveis: a exclusiva capacidade humana de julgamento moral e de decisão ética é mais do que um conjunto complexo de algoritmos. Por esta razão, é imperioso garantir uma supervisão humana adequada, significativa e coerente dos sistemas de armas.
Também não podemos ignorar a possibilidade de armas sofisticadas caírem em mãos erradas, facilitando, por exemplo, ataques terroristas ou intervenções visando desestabilizar instituições legítimas de Governo. Em resumo, o mundo não precisa realmente que as novas tecnologias contribuam para o iníquo desenvolvimento do mercado e do comércio das armas, promovendo a loucura da guerra. Ao fazê-lo, não só a inteligência, mas também o próprio coração do homem, correrá o risco de se tornar cada vez mais «artificial». As aplicações técnicas mais avançadas não devem ser utilizadas para facilitar a resolução violenta dos conflitos, mas para pavimentar os caminhos da paz, o crescimento da fraternidade humana e da amizade social. Em última análise, a forma como a utilizamos para incluir os últimos, isto é, os irmãos e irmãs mais frágeis e necessitados, é a medida reveladora da nossa humanidade.
Procuremos a verdadeira paz, que é dada por Deus a um coração desarmado: um coração que não se esforça por calcular o que é meu e o que é teu; por vezes, com algo simples como «um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito.
Concede-nos, Senhor, a tua paz! Esta é a oração que elevo a Deus:
Perdoa-nos as nossas ofensas, Senhor,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e, neste círculo de perdão, concede-nos a tua paz,
aquela paz que só Tu podes dar
para aqueles que deixam o seu coração desarmado,
para aqueles que, com esperança, querem perdoar as dívidas aos seus irmãos,
para aqueles que confessam sem medo que são vossos devedores,
para aqueles que não ficam surdos ao grito dos mais pobres.
Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2025
Hila-Maria Chamoun é libanesa, vive em Portugal com a família desde 2021, é estudante e tem 15 anos; este texto foi lido na vigília de oração do Rejoice! – encontro nacional de jovens católicos, que decorreu em Lisboa nos dias 12 e 13 de outubro.
Eu sou a Hila, tenho 15 anos e sou libanesa.
Vim para Portugal depois da explosão em Beirute [em 4 de agosto de 2020], que destruiu a nossa casa.
Os meus pais não queriam que a minha irmã e eu vivêssemos o que eles viveram nas guerras anteriores; então decidiram imigrar para um país mais seguro, porque a paz estava muito longe de ser encontrada no meu país de origem.
Hoje vou falar sobre a minha própria definição da paz.
Para mim, a paz é um sentimento de segurança e quando não temos de nos preocupar com o dia seguinte, quando podemos dormir sabendo que vamos acordar e continuar a viver o nosso dia-a-dia; também pode ser quando os pais deixem os filhos andar na rua à noite sem se inquietar ou saber que a lei nos vai proteger, de uma maneira ou outra.
Sem a paz no mundo não podemos ter a paz espiritual.
A minha vida é um exemplo disso: hoje em dia, moro num país seguro, mas ainda assim não sinto essa paz, pois os meus familiares que ainda moram no Líbano vivem em perigo; então como é que eu posso sentir essa paz se o meu primo, que só tem dez anos, está a proteger-se das bombas escondendo-se na casa de banho? Não podemos ter esse sentimento sabendo que as pessoas que amamos estão em perigo.
Às vezes podemos encontrar a paz nas pessoas que amamos, lembramos, vemos e falamos, porque a paz é como se estivesse uma luz que todos conseguem ver e abrigar-se debaixo [dela], e não nos devemos esquecer que esta luz é contagiante.
Cabe-nos a todos, seja ajudar o vizinho, lavar a loiça em casa ou até ajudar quando podemos.
Vamos lutar por um mundo onde todos tenham a oportunidade de experimentar a paz profunda que todos merecemos.
Falta então uma pergunta para ser respondida: qual o papel de cada um de nós para alcançar a paz?
Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.”
Bem-Aventuranças (Mt 5, 3-12)