Bom Dia Maristas

MAIO

CELEBRAR O QUOTIDIANO DA VIDA

Celebrar o quotidiano da vida é reconhecer que Deus se revela não apenas nos grandes acontecimentos, mas sobretudo nos pequenos gestos que tecem os nossos dias. É nas tarefas simples — o sorriso oferecido, o pão partilhado, a escuta silenciosa — que o amor de Deus se torna visível e concreto.

Henri Nouwen lembrava-nos que “a alegria não é o resultado da ausência de sofrimento, mas a descoberta da presença de Deus em meio à vida diária.” Celebrar, portanto, é um ato de fé: é ver, com o olhar do coração, que cada instante pode ser um espaço de graça.

A pastoral é chamada a ser esta presença celebrante — a ajudar cada pessoa a perceber que o sagrado habita o comum, que o Reino de Deus começa nas pequenas fidelidades, nos encontros simples e nas alegrias discretas de cada dia.

Celebrar o quotidiano da vida é viver com gratidão. É aprender a bendizer o que se tem, a transformar o ordinário em extraordinário, e a reconhecer, como Nouwen dizia, que “tudo o que é vivido com amor é eterno.”

 

Inspirado em Henri Nouwen

Assustamo-nos quando a rotina, de algum modo, se quebra. O nosso humor altera-se se o café não é servido da mesma maneira, desejamos que nos cumprimentem com as mesmas palavras, exigimos pontualidade. O inesperado é indesejável e as novidades resumem-se à última tecnologia ou a um novo produto dentífrico. (…).

Mas a viagem, de um modo geral, foca-se exatamente no oposto: na diferença, no insólito, em tudo o que surpreende. A rotina praticamente não existe, senão como sobrevivência de hábitos pessoais. Os primeiros relatos de viagem, muitas vezes pautados pela ficção, concentravam-se na descrição da diferença, quer de costumes quer da própria natureza, paisagem, fauna e flora.

(…)

Desse contacto com aquilo que não é de todo a nossa rotina cria-se um questionamento, que não será tanto uma demanda de autoconhecimento, mas a possibilidade de ao longe podermos olhar para o mundo em que vivemos sob outro ângulo, outra perspetiva, uma espécie de distanciamento crítico, que pode versar sobre a vida pessoal, mas também sobre a sociedade em geral, aquela que, por causa da rotina, já não somos capazes de apreciar nem criticar.

 

Afonso Cruz, in ‘Jalan Jalan’

A Maternidade à Luz de Maria:

Ao contemplarmos o amor de Nossa Senhora, somos chamados a refletir sobre o papel sagrado da maternidade. Assim como Maria disse seu “sim” e acolheu o Filho unigênito de Deus em seu ventre e o criou com amor, cada mãe é chamada a ser um reflexo do amor de Maria em suas próprias vidas. Isso significa nutrir, proteger, orientar, criar pessoas para servir o Senhor e amar incondicionalmente, seguindo o exemplo da Mãe de Deus.

 

Jovens de Maria

Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.

 

José Saramago

Maio: O que é essencial aos olhos de Deus?

Maio é o mês de Maria, tempo de flores e de oração. É o mês do Rosário, das coroações, e dos corações que se voltam à Mãe de Jesus com gratidão e confiança. Nesse clima de fé e ternura, surge uma pergunta que ecoa profundamente: o que é essencial?

Maria ensina-nos essa resposta não com palavras, mas com a vida. No silêncio de Nazaré, no “sim” dito ao anjo (Lc 1,38), na presença fiel aos pés da cruz (Jo 19,25), Ela revela que o essencial é acolher a vontade de Deus com amor e humildade. O essencial não está no muito fazer, mas em fazer com o coração entregue.

O mundo convida-nos a procurar o sucesso, o dinheiro e o prestígio. Mas Maria convida-nos a construir o Reino de Deus (Mt 6,33). Recorda-nos que a verdadeira alegria nasce da fé, da confiança em Deus mesmo nas horas difíceis, e da certeza de que nada é perdido quando se vive por amor.

Que neste mês de maio, sob o manto de Nossa Senhora, possamos redescobrir o que realmente importa: viver com fé, amar sem medida e servir com alegria. Porque, aos olhos de Deus, o essencial é amar como Maria amou: com simplicidade, pureza e total entrega.

 

Anónimo